A Entropia e a Pintura
"A entropia é o grau de transformação da matéria. A segunda lei da termo dinâmica diz que a entropia no universo só aumenta, diz ainda que em um sistema pequeno e fechado, como em uma geladeira, por exemplo, é possível estabilizar essa transformação, mas será necessário um gasto de energia para manter a temperatura sempre igual.
Existe um consenso entre os físicos que as equações mais importantes devem ser pequenas, no máximo 2 centímetros, e belas. Algumas versões da segunda lei dizem: O universo sempre tende ao frio ou O caos sempre aumenta.
As pinturas de Weimar, Nivea e Iolanda tratam dessa transformação, da interferência do homem na natureza. Do homem sendo agente da entropia.
Weimar mostra algumas imagens da natureza sem a interferência do homem, não que isso signifique que esta natureza estaria com baixa entropia, pelo contrário, a própria natureza tem seus meios de manter o grau de entropia alto. Em outras pinturas Weimar mostra caminhos cortando a paisagem como uma tentativa de organizar a natureza, fazendo desenhos em sua superfície.
Nas pinturas de Nivea a natureza aparece mais dramática, suas árvores são representadas de forma idealizada com pinceladas fortes como se o pincel fosse um estilete que não pudesse fazer curvas. Suas vistas trazem árvores sem folhas, peladas, quase mortas, transformadas, testemunhas do seu destino.
A natureza não é só o que vemos, também é natural o microscópico. Desta forma Iolanda constrói o seu repertório pictórico. Formas circulares como células embrionárias que se multiplicam rapidamente, como uma doença ou como uma vacina. A transformação aqui se mostra em um nível celular.
Esta exposição compõe um painel do real, do super real, o mais real que o nosso cotidiano, dos nossos carros e nossas burocracias brasileiras. Aqui estamos olhando para o nosso futuro, para as transformações que teremos de enfrentar.
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Sergio Romagnolo, Curador da mostra |