VERIDIANA LEITE – SÉRIE AZUL
Na Série Azul, rostos, braços, pernas, mãos se entrelaçam com a abstração geométrica e com gestos espontâneos de massa de cor em velocidade e pulsão. Veridiana Leite trabalha em vários tempos, com variadas camadas em planos diversos.
Em um primeiro momento, a representação do corpo se dá pela ausência de matéria pictórica com a retirada da tinta. Em contraste, em um segundo, terceiro ou quarto gesto, em sucessivas camadas, partes da figura humana são veladas por uma gama de tinta de cores claras e vibrantes, predominando o azul. O corpo aparece fragmentado e também denso, nos faz pensar em alguma memória pregressa. Em outro gesto, a artista cria, na superfície da tela, formas geométricas tridimensionais como plano de cor. Em certos momentos essas formas justapõem-se aos fragmentos do corpo e, em outros, os atravessa, podendo ainda partes do corpo habitar o universo abstrato gerando um estranhamento. Em mais um movimento, a artista impregna a tela com massas de tinta realizando traços e/ou formas orgânicas trabalhadas em gestos livres que, por vezes, são fortes e marcantes e, por outras, sutis e compactos.
Na Série Azul vivenciamos uma experiência interna como abertura para um espaço mental não referencial, através do que Veridiana Leite nos propõe na liberdade em trabalhar com elementos antagônicos como a ausência e a presença de tinta; a figura humana e a abstração geométrica; e a cor como gesto livre em expansão. Em suas obras não existe uma composição, uma narrativa, um lugar fixo, um ponto de vista, nem tampouco uma paisagem ou corpo que se revela; existem acontecimentos imaginativos em jogos improváveis entre os elementos que se estruturam através da cor.
Fernanda Terra
Junho 2011 |