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17   DE  AGOSTO  a 17 DE SETEMBRO DE 2011

individuais simultâneas

ALEX CERVENY   e    DANIELLE CARCAV

Exposição paralela ao 36o. SARP

Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional-Contemporâneo

CURADORIA :  NILTON CAMPOS

 

 

ALEX CERVENY

“A história dos povos está atravessada pela viagem, como realidade ou metáfora”. Para o sociólogo Octávio Ianni toda e qualquer sociedade – das tribos aos grandes impérios – foram marcadas pelo habito de cruzar fronteiras, como forma de descortinar o outro ou a si mesmos. Pouco  importa se foram muitos os trajetos já percorridos ao longo do tempo. Cada peregrino em ação precisa trilhar uma nova rota: “a rigor cada viajante abre seu caminho, não só quando desbrava o desconhecido, mas inclusive quando redesenha o conhecido”, nos diz.

Em busca de suas próprias pegadas, o artista-viajante Alex Cerveny parte para mais uma de suas andanças. O destino é Nazca, deserto ao sul do Peru que aninha em seu corpo extenso uma série de geóglifos – figuras seculares desenhadas no solo que chegam a medir mais de 200 metros de diâmetro, muitas vezes só vistas por completo do céu.O artista foi então às alturas. E o que avistou lá de cima? Traços que exemplificam o desenho em sua forma mais pura e primitiva, carregados com a simplicidade do graveto que a criança desliza, despretensiosamente, ferindo o chão.

É este patrimônio histórico que serve como bússola e norteia o trabalho da maioria das obras aqui expostas. Para dar visibilidade e significado a estes signos - que marcam a inscrição do humano através da cultura e o desejo ancestral de se comunicar com os deuses - Cerveny abandona a monumentabilidade que o circunda, num indício do percurso íntimo que pede passagem. Como um estrangeiro diante de um dialeto ainda desconhecido, entrega-se a este ofício de decifrar a língua alheia, consciente de que é no embate com o diferente, que acabará por encontrar o caminho singular que o levará para casa"                                                      Texto  Carolina Salles Carvalho

 

 
       
       
       

 

 

DANIELLE CARCAV

"Ao investigar o olhar da memória introspectiva de cada um, Danielle Carcav nos convida a adentrar na infância. Debruça-se sobre o passado lançando mão de suas próprias lembranças ou de vivencias alheias. Porém, mais do que revisitar pegadas já amareladas pela passagem do tempo, interessa-lhe construir um território psicológico, formado por imagens que assinalam um momento fugidio ou evidenciam um acontecimento iminente  - embora já presente  - assim como o silêncio que antecipa uma fala reveladora. Engana-se, entretanto, quem espera encontrar uma infância idílica, paraíso perdido de outrora.

Aqui, o paradoxo é companhia constante e o medo e as perversidades da meninice brincam de mãos dadas com o afeto e a imaginação particular dos primeiros anos. Com maestria, a artista provoca uma fenda na lógica crescida do universo adulto e nos convida a experenciar o estar no mundo livre do senso crítico que nos amordaça à medida que somos inseridos no jogo social. Capturados pelo seu traço, nos permitimos borrar os limites entre a fantasia e a realidade, entre o sonho e o devaneio num dialogo que nos aproxima do realismo mágico do escocês Peter Doig e sinaliza que o avesso da razão não é o absurdo, apenas poesia.

"                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  Texto  Carolina Salles Carvalho

                                                                        

 
 
 

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                                                                             ALEX CERVENY

nasceu em [born in] São Paulo/SP, Brasil, 1963

vive e trabalha em [lives and works in] São Paulo/SP, Brasil

formação {education]
Estudou desenho e pintura com Valdir Sarubbi (1978-1982).
Gravura em metal e técnicas de impressão com Selma D’affre(1982-1986).
Ainda em 1982 faz curso livre de litografia com Odair Magalhães na FAAP.

exposições individuais {solo exhibitions]

2009    “Paraguai”, Casa Triangulo, SP
2007    “Playlist”, Casa Triangulo, São Paulo, SP
2006    Galerie E&E, Ottersweier, Germany
2005    Ruta Correa Galerie, Alex Cerveny 15 Jahre, Freiburg, Germany
            Desenhos de ilustração, Estação Pinacoteca,SP
2004    H.A.P. Galeria, Rio de Janeiro, RJ
2003    Teatro Losso Netto, Piracicaba, SP
2002      Casa Triângulo, São Paulo, SP
2000      Celma Albuquerque Galeria de Arte, Belo Horizonte, MG
                De Etser, São José dos Campos, SP
                Doações recentes , Centro Cultural São Paulo, SP
1999      Ruta Correa Galerie , Freiburg, Germany
                Casa da Imagem , Curitiba, PR
                Valu Oria galeria de arte , São Paulo, SP
1997      Galeria Sergio Porto , Rio de Janeiro, RJ
                Joel Edelstein , Rio de Janeiro, RJ
1996      Valu Ória Galeria de Arte, São Paulo, SP
                Casa Cambuquira , Belo Horizonte, MG
                Ruta Correa Galerie , Freiburg, Germany
1994      Bianca Lanza Gallery, Miami, EUA
1993      LedisFlam Gallery, New York, EUA
                Galeria Paulo Figueiredo, São Paulo
                Galerie 20 x 2, Arnhen, Holland
1992      Galerie Ruta Correa, Freiburg, Germany
1990      Galeria Paulo Figueiredo, São Paulo, SP
1986      Galeria Unidade Dois, São Paulo, SP
1982      Elf galeria , Belém, PA

exposições coletivas {group exhibitions]

2009    Kunst_Buch_Raum, Alexander Von Humbolt – Buchlandlung, Potsdam, Alemanha
            Nasca Korrespondenzen, Kunstturm, Rotenburg/Wümme, Alemanha
            Correspondencias Nasca, Roemer und Pelizaeus Museum, Hildesheim, Germany
            Nus, Galerias Fortes Vilaça/ Bergamin, SP
2008   ArtBasel/Miami, Miami, USA
            Bordando Arte, Pinacoteca do Estado, São Paulo, SP
            Arquivo Geral, C.Cultural da Justiça Eleitoral, Rio de Janeiro
           Correspondências Nasca, Galeria Marta Traba, São Paulo, SP
          The paper trail: 15 Brazilian artists, Alssopp Contemporary, London, England
           Aquisições recentes, Pinacoteca do Estado de SP
           Panorama dos Panoramas, MAM-SP
2007 Frieze Art Fair, London England
           Arte BA’07, Buenos Aires, Argentine
           Intimidades/Jogos perigosos, Marilia Razuk Galeria de Arte, São Paulo, SP
           80/90 Modernos, pós modernos, etc, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP
           Gabinete de desenho, MAM-SP
           Coleção Itaú Contemporâneo, Itaú Cultural, São Paulo, SP
2006   Nazca correspondences, ZIF, Bielefeld, Germany
           Sem titulo 2006 – Comodato E. Brandão e J. Fjeld, MAM-SP
           Clube da gravura – 20 anos, MAM-SP
2005   Acervo Pinacoteca Municipal – CCSP
2004    Novas aquisições da coleção Gilberto Chateaubriand, Museu de arte moderna do Rio de Janeiro, RJ
            Arquivo geral – Jardim Botânico, Rio de Janeiro, RJ; Paralela – São Paulo, SP
            São Paulo 450 anos, Jornal o Estado de S. Paulo e Bolsa mercantil de futuros, São Paulo, SP
2003    Tecendo o visível, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, SP
            Papéis, H.A.P. galeria, Rio de Janeiro, RJ
            Casa Triângulo – 15 anos, São Paulo, SP
2002      A imagem do som rock-pop brasileiro, Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ
2001      A imagem do som de Tom Jobim, Paço imperial, Rio de Janeiro, RJ
2000      Cerâmica Brasileira, The British council, São Paulo, SP
A imagem do som de Gilberto Gil, Paço Imperial, Rio de Janeiro, RJ
A imagem do som de Chico Buarque, Paço Imperial – Rio de Janeiro, Centro Cultural de la Recoleta, Buenos Aires, Argentina
                O Particular, desenhos,Centro cultural Cândido Mendes, Rio de Janeiro, RJ 
20 Jahrë, Ruta Correa Galerie, Freiburg, Germany
1999      Litografias, CCSP, S. Paulo e CCBEU, Rio de Janeiro, RJ
1998      O Suporte da Palavra, MAM, São Paulo, SP
                O Colecionador, MAM, São Paulo, SP
                El Arte de Los Libros de Artista, Instituto de Artes Graficas de Oaxaca, Mexico
                6ª Bienal de Pintura de Cuenca, Ecuador
1996      O Único, o Mesmo, o A-Fundamento, Valu Ória galeria de arte, São Paulo, SP
1995      Panorama da arte brasileira, MAM-SP
                Artistas colecionistas, Valu Oria, São Paulo, SP
                40 anos de desenho em São Paulo, Nara Röesler, São Paulo, SP
                Arte brasileira para colorir, MASP, São Paulo, SP
                Poética da resistência, Galeria SESI, São Paulo, SP
1994      Projeto Tamarind, Museu da Gravura, Curitiba, PR
                Two Brazilian Printmakers, New Mexico University Museum, Albuquerque, EUA
                Tamarind Institute, Albuquerque, EUA
                Brasil Bienal Século XX, São Paulo, SP
                Outros territórios , Festival Mix Brasil, MIS, São Paulo, SP
1993     Brazilian Art, O.K.Harris/David Klein Gallery, Detroit, EUA
1992      Mostra América, Curitiba, PR
                R. B. Stevenson Gallery, La Jolla, EUA
1991      Viva Brasil Viva, Liljevalchs Konsthall, Stockholm, Sweden
                XXI Bienal Internacional de São Paulo, SP
1990      II Bienal de Gravura de Amadora, Amadora, Portugal
                Panorama de Arte Sobre Papel, MAM, São Paulo, SP
1989      Novos Valores da Arte Latino Americana, MAB, Brasília, DF
                Artistas, MAM, São Paulo, SP
1988      Bienal da Gravura Latino Americana, San Juan, Puerto Rico
1987      Panorama da Arte Brasileira Sobre Papel, MAM, São Paulo, SP
                Circuito Atelier Aberto (paralelo à  XIX Bienal) São Paulo, SP
1986      Desenho, Gravura e Pintura, Paço das Artes, São Paulo, SP

trabalhos  públicos [public works]

2001       Santo Antonio do Pinhal, SP, Projeto Paredes-pinturas, em colaboração com Monica Nador.

prêmios [awards}
1995      Prêmio aquisição Price Waterhouse do Brasil, Panorama '95, MAM, São Paulo
1991      Prêmio Secretaria de Estado da Cultura, XXI Bienal Internacional de São Paulo
1988      Prêmio Credicard, Salão Paulista de Arte Contemporânea
1986      Grande Prêmio Cidade de Curitiba, Mostra da Gravura Cidade de Curitiba

coleções[gcollections]

Museu de arte moderna de São Paulo, Brasil

Instituto cultural Itaú, São Paulo, Brasil

Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil

Centro Cultural São Paulo, Brasil

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Brasil

Tamarind Institute, Albuquerque, New Mexico, EUA

Senac Itaquera, São Paulo, Brasil

Senac Itapetininga, São Paulo, Brasil 

Solar do Barão, Curitiba, Brasil

Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Brasil

Coleção de pratos e azulejos na ACTC(Associação de Assistência à Criança Cardíaca e à Transplantada do Coração), São Paulo, Brasil

Bibliografia

-Teixeira Coelho, “Coleção Itaú contemporâneo – arte no Brasil 1981 – 2006”, Itaú Cultural 2006

-Aguinaldo Farias, “Novos talentos da arte brasileira”(“Os prêmios como estímulo à produção artística no Brasil”) Instituto Tomie Ohtake, 2004, São Paulo

- Stephane Malysse(organizadora: Angélica de Moraes), "Brazilianart VI", 2006, ed Jardim contemporâneo, São Paulo

- Celso Fioravante(organizador: Olívio Tavares de Araújo), "Brazilianart III", 2002, ed Jardim contemporâneo, São Paulo

- Ronaldo Graça Couto, "Arte e artistas plásticos no Brasil", 2000, Metalivros, São Paulo

- Luís Henrique Horta, "Alex Cerveny", 2000, Celma Albuquerque galeria de arte, Belo Horizonte

- Claudia Saldanha, "Alex Cerveny – trabalhos recentes", 1999, Valu Ória galeria de arte, São Paulo

- Icléia Borsa Cattani e Maria Amélia Bulhões – “Porto Arte nº16” 1998, Universidade Federal do Rio Grande do Sul
 
- Nelsom Aguilar(organizador), "Bienal Brasil século XX", 1994, Fundação bienal de São Paulo

- Marcelo Mattos Araújo(organizador: João Cândido Galvão), "XXIª Bienal internacional de São Paulo", 1991, Fundação bienal de São Paulo

- Jacob Klintowitz, "Imagens do comércio na arte", 1991, Empresa das artes/SESC, São Paulo

 

 

Danielle S de Carvalho Cavalcanti (Danielle Carcav)

 

Nasceu em   22 de março de 1977, em Natal, RN.    Vive e trabalha no Rio de Janeiro  desde 2008.

Formação

2011


  UFF - Universidade Federal Fluminense - Engenharia Ambiental - Cursando 8º período

2009

 
  Escola de Artes Visuais do Parque Lage , Rio de Janeiro/RJ.
  Pintura Contemporãnea (João Magalhães E Walter Goldfarb)
  Arte Contemporânea (Pedro França)
  Módulo Avançado de Pintura (Suzana Queiroga/2009 e Ivair Reinaldim-Daniel Senise/2010)
  Serigrafia (Evany Cardoso).
  Arte e Crítica de arte: anos 70 e 80(Ivair Reinaldim)

Exposições selecionadas

2011
  ABRE ALAS 7, A Gentil Carioca, Rio de Janeiro, RJ.
  SÓ PARA RAROS, SÓ PARA LOUCOS, Galeria Jaqueline Martins, São Paulo, SP

 2010


  XIII SAMAP, Casarão 34, João Pessoa, PB
  “AQUI JAZ; AUSÊNCIAS”, instalação, Galeria Amarelonegro, Rio de Janeiro, RJ.
  MOSTRA POP UP, Galeria Motor, Espaço Crânio, Rio de Janeiro, RJ.
  ALÉM DO HORIZONTE(paisagens contemporâneas), Amarelonegro Arte Contemporânea, RJ.
  35º SARP, Museu de arte de Ribeirão Preto Pedro Manoel - Gismondi, Ribeirão Preto,SP
  19º ENCONTRO DE ARTES PLÁSTICAS DE ATIBAIA, C. C. Victor Brecheret, Atibaia, SP. (Menção honrosa    pela  série de aquarelas “AUSÊNCIA
  DE CULPA: APROVEITE”)
  SALÃO DE ARTES 2010,

 Museu de arte Contemporânea, Campo Grande, MS.(PRÊMIO DE AQUISIÇÃO)
  CONVERGING TRAJECTORIES, Modified Arts, Phoenix, Arizona USA
  RETROSPECTIVA, Amarelonegro Arte Contemporãnea, Rio de Janeiro, RJ
  NOVÍSSIMOS, Galeria Ibeu, Rio de Janeiro, RJ
  38º. SALÃO LUIZ SACILOTTO, Santo André, São Paulo/SP
  9º. SALÃO ELKE HERING, Museu de Artes de Blumenau,Blumenau/SC.
  XIII SALÃO DE ARTES VISUAIS DA CIDADE DE NATAL, Capitania das Artes. Natal/RNMuseu de arte  Contemporânea, Campo Grande, MS.(PRÊMIO DE AQUISIÇÃO)
  CONVERGING TRAJECTORIES, Modified Arts, Phoenix, Arizona USA
  RETROSPECTIVA, Amarelonegro Arte Contemporãnea, Rio de Janeiro, RJ
  NOVÍSSIMOS, Galeria Ibeu, Rio de Janeiro, RJ
  38º. SALÃO LUIZ SACILOTTO, Santo André, São Paulo/SP
  9º. SALÃO ELKE HERING, Museu de Artes de Blumenau,Blumenau/SC.
  XIII SALÃO DE ARTES VISUAIS DA CIDADE DE NATAL, Capitania das Artes. Natal/RN

 2009


  [SÓ VOCÊ E OS OUTROS PASSAM], EAV Parque Lage, Rio de Janeiro/RJ.
  [SÓ VOCÊ E OS OUTROS PASSAM], Largo das Artes, Rio de Janeiro/RJ.
  9º. SALÃO DE ARTES VISUAIS DE GARULHOS, Centro Cultural Prof. Adamastor, SP.
  16º. SALÃO DE ARTES PLÁSTICAS DE TERESINA, Casa da Cultura, Teresina/PI.
  XV SALÃO UNAMA de pequenos formatos, Galeria de Arte Graça Aranha, Belém/PA.


  PROCURANDO RETICÊNCIAS


  “O imaginário, muito longe de ser a expressão de uma fantasia delirante, desenvolve-se em torno de alguns   grandes temas, algumas grandes imagens que constituem para o homem os núcleos ao redor dos quais as imagens convergem e se organizam.”  Gaston Bachelard


Voltar através da memória ao espaço da infância, seja a minha ou dos outros, evocando alguns elementos culturais presentes nessa vivência, e experimentar uma vivência imaginária dessa memória, essa é minha proposta. Acho que é um tipo de resgate ao espaço e tempo que tende a se apagar, não só no sentindo físico de tempo e espaço mas também no sentindo emocional. .Acredito que a infância é o período de vida no qual o ser humano se entrega sem restrições ao imaginário, criando e re-criando significados do que há ao redor, de modo constante. Meu processo está intimamente ligado ao ato de imaginar, como o imaginário absorve e se constroe. Os desenhos e a pintura que apresento são imagens compostas por fotografias de crianças, animais e alguns elementos de paisagem. Essas imagens são captadas em lugares como praças e parques. No caso das imagens infantis, me interessam crianças em estado contemplativo, reflexivo ou introspectivo. A partir dessas imagens aproprio-me da atmosfera psicológica, transpondo-a numa transição constante entre o desenho e a pintura, sem qualquer pretensão de hiper-realidade.


A presença de elementos aleatórios e diferença de escala entre os mesmos geram dois tipos de sensação, espacial e temporal. A primeira diz respeito a espacialidade de origem psicológica, as imagens que habitam esse espaço podem habitar a realidade porém esse espaço só pode ser habitado pela imaginação, pois ao mesmo tempo que as imagens se constituem como referenciais do real, as mesmas são configuradas de tal modo que o espaço se torna inóspito, tangível apenas pela imaginação. Em segundo, essas escolhas fazem com que as imagens tenha uma certa auto-suficiência possibilitando agrupamentos e não-agrupamentos e estes geram subtextos dentro da narrativa ou não-narrativa principal. Dessa maneira, crio um território psicológico entre o assunto da obra e o observador. A cor é o elemento que reforça a não- realidade no qual todo o ambiente é imerso. A experiência do lidar com a cor é em certa medida empírica, parte de experimentos individuais realizados no próprio fazer do trabalho. A decisão de finalizar ocorre quando consigo uma combinação de cores absurdas, estranhas e que até mesmo incomodem o observador num primeiro momento, para posteriormente evoquem no mesmo familiaridades a partir da memória de sua própria infância. Gosto de quando a cor acontece no trabalho por si e não como representação cromática de alguma forma, saindo da experiãncia visual e atuando também no campo sensorial. Em meu trabalho, cada imagem se constitui em torno de uma orientação imaginária que se compõe de sentimentos e emoções. Sentimentos e emoções que podem ser intimamente comuns e particularmente distintos para qualquer pessoa que o observe. 

Danielle Carcav Janeiro de 2010

 
 

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Sábados : das 10 às 13:00